A data celebra a relevância do livro didático na formação dos estudantes e no apoio aos professores.
Julia Viana
O Dia Nacional do Livro Didático é comemorado em 27 de fevereiro, uma data dedicada a valorizar essa ferramenta essencial para o aprendizado dos alunos em todo o Brasil. O livro didático desempenha um papel fundamental na educação, servindo como base para o ensino e a formação acadêmica de milhões de estudantes.
Desde os primeiros anos escolares até o ensino médio, os livros didáticos são estruturados para garantir que os alunos tenham acesso a conteúdos organizados, atualizados e adaptados à realidade educacional do país. Eles não apenas fornecem informações essenciais, mas também contribuem para o desenvolvimento do pensamento crítico e da autonomia no aprendizado.
A professora Maria Izabel, presidenta da APEOESP, reforçou em sua rede social que “o livro didático ensina não somente os alunos, mas também os professores!”. Isso mostra que ele orienta o planejamento das aulas e sugere metodologias para tornar o ensino mais dinâmico e eficiente.
No Brasil, o Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), criado pelo governo federal em 1985, tem um papel importante na distribuição gratuita desses materiais para escolas públicas, garantindo que todos tenham acesso a um ensino de qualidade. Segundo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, em 2021, o PNLD adquiriu mais de 207 milhões de exemplares de livros e materiais didáticos.
Com a evolução da tecnologia, os livros didáticos também passaram por transformações, incorporando recursos digitais, atividades interativas e conteúdos multimídia que enriquecem a experiência de aprendizado. A Escola Internacional de Alphaville, em São Paulo, é uma das escolas que disponibiliza os livros didáticos de forma digital, outras utilizam e-books de diversas editoras, que podem ser consultados por assinatura mensal.
Dessa forma, atualmente, muitos livros são disponibilizados em formato digital, permitindo que os alunos tenham acesso ao conteúdo em diferentes dispositivos, como tablets, celulares e computadores. Essa mudança acompanha a crescente digitalização do ensino e facilita a adaptação das escolas às novas demandas educacionais.
Embora os livros didáticos sejam ferramentas valiosas, estudos apontam para a necessidade de constante atualização e contextualização dos conteúdos para refletir as mudanças sociais e tecnológicas. O objetivo é garantir que os alunos recebam uma educação relevante e conectada com a realidade.
A adaptação às diretrizes curriculares nacionais e dos conteúdos são planejados para atender aos parâmetros educacionais e garantir que os estudantes desenvolvam as competências e habilidades exigidas em cada etapa da aprendizagem. Além disso, os livros são revisados periodicamente para que estejam sempre alinhados às mudanças na sociedade, à evolução do conhecimento e às necessidades dos alunos e professores.
A atualização dos livros didáticos ocorre em ciclos regulares de quatro anos. Isso significa que, a cada quatro anos, os materiais de cada etapa de ensino são renovados, garantindo que os conteúdos estejam alinhados às diretrizes curriculares e às necessidades educacionais atuais.
Segundo a plataforma digital Diversa, “o livro didático é uma referência”. Dessa forma, a acessibilidade também tem sido uma preocupação crescente na produção dos livros didáticos. Hoje, muitas editoras investem em materiais que contemplam diferentes perfis de estudantes, incluindo aqueles com deficiência visual ou dificuldades de leitura.
Esse assunto se torna ainda mais relevante ao analisarmos os dados do Censo Escolar do INEP, que apontam um crescimento significativo na inclusão de alunos com deficiência em classes comuns. Na educação infantil o crescimento foi de 31,6%, no ensino fundamental o aumento foi de 60,2%, já no ensino médio teve uma expansão de quase 210%, partindo de 28.387 alunos.
O desenvolvimento de versões em braille, audiolivros e materiais com fontes ampliadas são exemplos de iniciativas que garantem a inclusão educacional e promovem a equidade no aprendizado.
O impacto do livro didático na educação brasileira vai além da sala de aula. Ele contribui para a formação cidadã dos estudantes, proporcionando não apenas conhecimento acadêmico, mas também reflexões sobre temas sociais, culturais e ambientais. Análises de livros didáticos mostram que muitos materiais incorporam temas relacionados à cidadania, diversidade cultural e questões sociais.
Em 2024, o Ministério da Educação (MEC) do Brasil investiu R$ 2,1 bilhões na aquisição de 194,6 milhões de exemplares de livros didáticos, beneficiando mais de 31 milhões de alunos da educação básica pública. Esse investimento representa um aumento de 79% em relação ao ano anterior, reforçando o compromisso com a formação educacional e cidadã dos estudantes.