Brasileira residente da Tailândia conta sobre a sua experiência no momento dos tremores.
Raíssa Oliveira
Um terremoto de magnitude 7,7 atingiu o Mianmar na sexta-feira (28) e o epicentro ocorreu em Sagaing, próximo a Mandalay, segunda maior cidade do país asiático, afetando também países vizinhos. A junta militar no poder em Mianmar afirmou que 2,7 mil pessoas morreram e 4,5 mil ficaram feridas após a catástrofe, além de cerca de 440 pessoas desaparecidas.
Além da magnitude considerada muito alta, um dos fatores que agravaram o abalo sísmico foi a profundidade do epicentro. Terremotos podem ocorrer até 700 quilômetros abaixo da superfície terrestre, mas esse aconteceu com uma profundidade de apenas 10 quilômetros, aumentando a quantidade de tremores na superfície. Apesar de Mianmar ser um território propício para abalos sísmicos pela localização, foi o maior terremoto do país em um século.
Tailândia também foi fortemente atingida
Os tremores também foram sentidos na Tailândia, onde mora a brasileira Hellen Freitas. Ela trabalha como auxiliar de sala em uma escola infantil em Ubon Ratchathani, cidade que fica cerca de 600 quilômetros de Bangkok, capital tailandesa, onde um prédio de trinta andares inacabado desabou. “A professora abriu a porta e começou a gritar muito pedindo pra todas as crianças saírem de dentro da sala. Foi um grito desesperador e naquele momento eu não sabia que estava acontecendo o terremoto, só sabia que precisávamos salvar a vida delas”, relata a brasileira.
Apesar de não ter sentido os tremores, Hellen conta que o mais assustador foi a evacuação de emergência de todos os prédios da escola, porque precisavam levar todos para um lugar seguro de maneira rápida e eficiente. “A gente tirou todas as crianças e levamos pro campo, para um lugar aberto, que seria o mais seguro naquela situação, porque você tem que sair de qualquer lugar que tenha cobertura. Nós ficamos lá em torno de 15 minutos até as coisas acalmarem, é necessário esperar esse tempo para ver se vai ter uma nova onda”, destaca.
Hellen comenta que as pessoas do seu convívio ficaram mais tranquilas do que ela após o acontecimento, tendo em vista que é algo mais corriqueiro no local. Ela confessa que ainda está insegura e reflete que “abalos sísmicos eram o tipo de coisa que a gente via no livro de geografia e achava doido, porém, ficava tranquila em saber que nunca aconteceria no Brasil, mas agora isso mudou para mim e a mente aos poucos vai se adaptando à nova realidade”.
Crise humanitária
O acesso à informação é escasso, já que Mianmar enfrenta turbulências políticas desde que uma junta militar assumiu o comando do país em 2021, que limita o acesso de muitos sites, plataformas de redes sociais e do trabalho dos jornalistas. Esse controle rígido e danos em estradas causados pelo terremoto, intensificou os desafios para trabalhadores humanitários e complicou a busca aos feridos e desabrigados.
O ponto de partida para a escalada da violência no país do sudeste asiático foi o intuito de reprimir manifestantes contrários ao novo regime, cometendo crimes contra o próprio povo. A junta militar fez um pedido raro de ajuda internacional, mas mesmo após o terremoto, os militares continuam realizando ataques aéreos em áreas declaradas estado de emergência.