Menos de 25% da juventude na faixa etária de 18 a 24 anos estão fazendo faculdade.
Nátaly Nunes
O número de jovens que não faz faculdade está aumentando, apenas 21,6% dos jovens entre 18 e 24 anos estão no ensino superior, de acordo com o Censo Educação Superior feito em 2023. Atualmente a situação atual de matrículas nas faculdades é de 30,3%, enquanto a meta de acordo com o PNE deve ser 50%.
Um estudo divulgado pelo IBGE mostrou que 40,2% dos jovens entre 15 e 29 anos que abandonaram os estudos apontam como principal motivo a necessidade de trabalhar. Outros 24,7% indicaram simplesmente a falta de interesse nos estudos. A cada ano esses dados aumentam e é preciso entender algumas motivações para isso e se realmente só existem pontos negativos.
A banalização
No final do ano passado, viralizaram alguns vídeos de adolescentes falando que não queriam continuar os estudos, pois já estavam fazendo dinheiro na internet e não precisavam disso. Em tom de chacota, uma menina chegou a dizer que seus professores têm uma mente muito limitada por incentivar a fazer faculdade. Esses adolescentes, em especial, estão promovendo essa evasão com o intuito de promover seus cursos pessoais e ganharem mais dinheiro em cima de outros adolescentes.
A coordenadora do ensino médio Ivna Casela acredita que os alunos às vezes desejam um retorno financeiro mais rápido e optam por ingressar imediatamente no mercado de trabalho. “Penso que muitos alunos são imediatistas em sentido financeiro. Já que cursar uma universidade, por vezes demora de quatro a cinco anos, para então eles buscarem um emprego e começarem a ganhar dinheiro”, comenta.
Cada caso é um caso
É válido lembrar que optar por não fazer faculdade não significa que a pessoa vai parar de estudar ou viver apenas com o conhecimento e ensino médio para sempre. Existem muitos cursos disponíveis que especializam pessoas em diversas áreas.
O empresário Otávio Augusto entrou no mundo dos investimentos ainda no ensino médio pois gostava muito de empreender e sempre visava sua independência financeira. Logo depois de se formar no terceiro ano, ele ingressou na faculdade de Direito, mas não demorou muito para trancar o curso e ter a certeza de que o que procurava não estava na faculdade, mesmo não deixando de estudar.
O papel das autoridades
De acordo com o Ministério da Educação os alunos que terminaram o ensino médio em escola particular e foram direto para o ensino superior são quase o triplo daqueles que estudaram na rede pública. Esse dado indica diversos problemas no sistema educacional brasileiro.
O mesmo censo aponta que 55,9% dos alunos que terminaram o ensino médio se inscreveram para fazer o Enem. Essa prova é uma das principais formas de ingressar na faculdade. O governo tem estratégias para incentivar os estudos da população (e alguns deles saem também do nicho escola/faculdade e são cursos específicos para determinadas áreas) como o Sisu, Fies, bolsa-permanência, programa de atenção à saúde mental dos estudantes, auxílio moradia, ou o Pé-de-Meia, que manda dinheiro para os estudantes do ensino médio como forma de estimular a permanência nas escolas.
Ivna acrescenta que na escola que ela trabalha eles apresentam para os alunos as diversas opções através de projetos interdisciplinares, visitas técnicas e rodas de conversa. “Em minha opinião, o importante é ter uma profissão, seja ela com formação acadêmica ou não”, finaliza a coordenadora.