Hábitos alimentares influenciam aumento nos casos de câncer de mama 

In Saúde

Segundo pesquisa da The Lancet Oncology, o câncer de mama pode alcançar 3,56 milhões de mulheres ao redor do mundo até 2050.   

Melissa Conselho

O câncer de mama é uma das principais causas de mortalidade e morbidade entre mulheres em todo o mundo. O estudo publicado na revista The Lancet Oncology (2023) afirma que a taxa de casos e mortalidade do câncer de mama está relacionada à alimentação e aos países de baixa renda do Banco Mundial. 

O levantamento integra o estudo global da carga de doenças e reúne dados de 204 países e territórios durante 33 anos (1990- 2023). A pesquisa indica que os óbitos anuais podem saltar de 764 mil para 1,4 milhão, um aumento de 44%. 

Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, pesquisadores afirmam que o aumento tende a acontecer e alerta a necessidade urgente de estratégias globais eficazes. O que influencia negativamente a meta ambiciosa da Iniciativa Global de Câncer de Mama da OMS, que pretende alcançar uma redução anual de 2,5% nas taxas de mortalidade padronizadas por idade até 2040.

O câncer e a alimentação  

Segundo uma pesquisa realizada pela Unicamp sobre industrialização e comercialização de alimentos e a deterioração dos alimentos, a produção alimentícia era baseada na subsistência familiar e na pouca valorização do comércio. Na época contemporânea a arte de cozinhar se tornou cada vez menos frequente, tornando a alimentação favorável para o aumento do lucro capital e a menor ingestão de alimentos saudáveis, com um número maior de conservantes e açúcar. 

A glicose presente em grande quantidade no sangue pode aumentar em 28% as chances para o desenvolvimento do câncer de mama. O mesmo ocorre com dietas inadequadas e o uso de álcool e tabaco.

A nutricionista Silvia Sena reforça a ideia de termos uma alimentação balanceada. Para ela hábitos alimentares aumentam significativamente o risco de câncer principalmente o de mama por se tratar de uma doença que atua no processo inflamatório. ”Alimentação hipercalórica, alto consumo de carne vermelha, alto consumo de gorduras como frituras e alto consumo de alimentos industrializados podem desenvolver as células cancerígenas,” declara. 

A Silvia aponta que “uma dieta rica em produtos ultraprocessados o nosso organismo não reconhece bem essas substâncias e na reação de eliminá-las (desintoxicação) promove a inflamação desencadeando vários malefícios para a saúde inclusive a produção de células cancerígenas.”

Sena relata alimentos que podem ajudar na prevenção do câncer de mama: 

  • Soja: aumenta a capacidade de autodestruição (apoptose) das células cancerígenas. 
  • Oleaginosas: como nozes, amêndoas, avelã e amendoim, são ricas em selênio, mineral com ação antioxidante e que ajuda na renovação das células. Além disso, as oleaginosas contêm vitamina E, nutriente que melhora o funcionamento do sistema imunológico.Duas nozes por dia, por exemplo, já suprem as quantidades diárias recomendadas de selênio
  • Alho e cebola :O consumo de alho e cebola pode diminuir em até 30% as chances de câncer de mama, nutrientes antioxidantes que impedem a ação dos radicais livres.
  • Os alimentos com coloração roxa, como uvas, repolho, berinjela e amora, possuem uma substância conhecida como antocianina. atuam em nosso organismo como antioxidantes.
  • Manga: Também rica em vitamina C , oferece ao organismo ácido gálico, um polifenol com atividade antioxidante e anticarcinogênica. Entre os carotenoides, possuem betacaroteno, que tem função antioxidante.
  • Frutas vermelhas: como a framboesa , são ricas em antocianinas, fitonutrientes que retardam o crescimento de células pré-malignas e evitam a formação de novos vasos sanguíneos que poderiam estimular o crescimento de um tumor.

Estilo de vida anticâncer 

Silvia Fontes, nutricionista especializada em nutrição clínica, também informa que um estilo de vida saudável previne o surgimento do câncer de mama. “Mudanças simples nos hábitos alimentares podem favorecer para reduzir o risco de câncer de mama e também de outros tipos de câncer e doenças.” comprova.

Segundo a nutricionista é necessário consumir a quantidade necessária de calorias, praticar atividade física; alimentar-se de forma saudável; manter o peso corporal adequado, beber cerca de 2 litros (6 a 8 copos) por dia. “Evitar refrigerantes e sucos industrializados, também é um fator relevante que ajuda na prevenção”, relata. 

A nutricionista afirma que não existe um único alimento capaz de trazer todos os nutrientes necessários para a nutrição ou prevenção de doenças , mas a variedade deles contribuem para o equilíbrio nutricional promovendo a saúde e melhor qualidade de vida.

Por isso, é necessário procurar um um profissional nutricionista para manter uma alimentação equilibrada.

Desigualdade do câncer de mama no âmbito mundial 

A desigualdade socioeconômica é um fator impulsionador do aumento dos casos de câncer de mama ao redor do mundo. Países de alta renda, conforme a pesquisa, enfrentaram um crescimento estável comparado aos países de baixa renda. Essa incidência estável e a redução das taxas de mortalidade refletem o sucesso de programas de rastreamento, diagnóstico e tratamento. 

O doutor Orlando Neves, médico geral, confirma a tese e afirma as principais causas entre o aumento do câncer e a realidade socioeconômica, tendo como exemplo que países de primeiro mundo além da informação e o poder aquisitivo da população facilitar o acesso ao diagnóstico precoce, o grande número de serviços especializados de ponta aumentam a oferta acabando com filas. “Já em países pobres, o grau de instrução pessoal e o acesso às campanhas de informação para prevenção ao câncer de mama é menor”, aponta.

“Além disso, existe uma grande dificuldade para obter o acesso ao diagnóstico, pois não possuem a facilidade de pagar uma mamografia, ou outro exame particular ou de possuir um plano de saúde que viabilize a praticidade e presteza.” relata. 

O doutor afirma que “apesar de termos o SUS com suas campanhas, há regiões na periferia de nosso país que as filas são gigantescas, o que inibe e cria desistência.”

Orlando reforça que existe uma diferença entre a preocupação contra o câncer de mama entre o sexo masculino e feminino. “Inclusive entre os homens, que em face de uma nodulação na mama, desconsideram ou não possuem tempo “pra perder” indo a um médico”, pondera.

Ao analisar a questão socioeconômica, o doutor reforça a magnitude do SUS em um sistema mundial, mas afirma que ainda existem alguns problemas que devem ser reestruturados para que o aumento do câncer de mama possa ser amenizado. “A rede do SUS do Brasil é a maior e mais organizada do mundo, mas muito do que se planeja nos escritórios de Brasília não chegam na ponta da teia, por falta de pessoal especializado ou vontade política em muitos municípios”, aponta.

Por isso, para reduzir a desigualdade no acesso aos serviços de saúde relacionados ao câncer de mama é necessário ter um “serviço universal gratuito e organizado”,explica. Segundo o médico, é preciso investir na especialização dos profissionais e nas máquinas modernas para um diagnóstico acurado e rápido, tanto no serviço público, quanto no privado.

Prevenção do câncer de mama 

Além da alimentação, explicado pela nutricionista Silvia Fontes, o doutor Orlando assegura que devem existir exames feitos periodicamente como a Mamografia, Ressonância Magnética (RM) e ultrassonografia. “Na maioria do câncer de mama o tamanho e o tempo de evolução é diretamente proporcional ao prognóstico. Quanto mais cedo melhor e menos invasivo será o tratamento”, reafirma. 

O doutor conta uma história mostrando a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama em que 2 pacientes, sempre que o encontravam, me abraçavam, e se emocionaram usando a frase “é Deus nos céus e você doutor na terra”. O médico conta que as pacientes sempre levam presentes quando vão ao check-up.

Essa resposta emocional das pacientes em relação ao médico Orlando deve-se ao fato dele encontrar em uma mamografia um nódulo suspeito com BI-RADS 4 (categoria que indica achado suspeito de malignidade, com risco variável) muito pequeno.

Orlando finaliza que ambas foram curadas somente com quadrantectomia, sem necessidade de mastectomia, mutilação ou quimioterapia com todos os seus efeitos colaterais. “É um benefício gigante para a paciente, para a família e para todo o sistema”, destaca. 

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