O número de eleitores de 16 a 24 anos está em queda livre, pela idade média no Brasil e pelo desinteresse dos jovens em votar.
Natan Morão
O eleitorado jovem diminuiu muito no Brasil no período de 2010 a 2026, segundo uma pesquisa recente do Instituto Nexus. A diminuição foi de 22% entre os jovens de 16 até 24 anos. Os motivos dessa diminuição variam entre a idade média brasileira e o desinteresse dos jovens em votar.
A pesquisa aponta que o envelhecimento populacional do Brasil nos últimos anos é uma realidade que afeta diretamente a idade média dos eleitores. Em 2010, os jovens de 15 a 24 anos representavam 17,9% da população, enquanto em 2026, pessoas da mesma faixa etária ocupam apenas 14,7% da população.
Por outro lado, a socióloga e cientista política Sábatha Fernandes diz que o envelhecimento da população não é a parte mais preocupante na queda do número de votos. “Os jovens de 16 a 18 anos, que têm a opção de votar, muitas vezes não se preocupam em tirar o título de eleitor, e os votantes de 18 a 24 anos acabam não comparecendo às urnas ou decidindo votar em branco”, aponta.
O desinteresse dos jovens em eleger
O estudante de 22 anos, Henrique Macedo, não vai votar nas eleições de 2026, pois não se identifica com nenhum dos candidatos. “Prefiro não tomar uma decisão apenas por obrigação ou influência de outras pessoas. Acho melhor não participar da votação enquanto eu não tiver alguém em quem realmente confie ou com quem eu concorde”, afirma.
Segundo Sábatha, esse pensamento é popular, os jovens optam por não votar pela falta de confiabilidade nas instituições democráticas. “Apesar de nosso regime político ser democrático de direito, nós temos práticas que são contraditórias à democracia muitas vezes. Isso transparece nos representantes eleitos. Os jovens de hoje observam essas coisas e isso causa desconfiança no processo institucional”, pondera.
Além disso, a socióloga diz que existe outro problema que faz diminuir os votos dos jovens: a falta de compreensão do funcionamento da política brasileira. “Nesse sentido, a falta de compreensão sobre o que cada um deve fazer, também causa desconfiança no eleitorado como um todo, mas a juventude tem tido mais dificuldades de compreender esse processo”, explica.
Enquanto isso, a estudante de 18 anos Gabrieli Furtado, vota desde os 16 anos, e não vai abrir mão de votar nas eleições de 2026. “Vai ser o meu primeiro voto a nível nacional e eu acho que, pela polarização e pela alienação que estamos sofrendo nos dias de hoje, é extremamente importante o voto de todas as pessoas”, opina.
A importância do voto jovem
Em um cenário de muita polarização na política brasileira, houve por exemplo, a eleição de 2022 que foi definida por menos de 2 milhões de votos de diferença entre Lula e Jair Bolsonaro, esse embate acirrado mostra que todo eleitor é estratégico, e cada voto pode fazer muita diferença.
Sábatha acrescenta uma reflexão, confirmando que cada voto é muito importante: “Nós temos uma jovem democracia que precisa da participação e da voz ativa do povo como um todo, para que ela se torne de fato a voz do povo”, frisa.
Gabrieli também incentiva a participação da população da sua idade nas urnas. “É uma frase clichê, mas os jovens são o futuro. É muito importante que a gente tenha isso na nossa mente. E eu acho que isso é o mais importante. O mais importante é eles saberem que o voto de cada um é importante”, enfatiza.



