Pesquisadores recomendam uma abordagem multifatorial para diagnóstico da doença.
Gabrielle Ramos
Pesquisadores encontraram uma forma mais precisa para diagnosticar a obesidade. Segundo conclusões publicadas na revista The Lancet, um paciente é considerado obeso quando apresenta IMC acima de 25 e uma segunda medição corporal elevada, que afete algum órgão ou rotina diária.
Criado no século XIX e adotado pela Organização Mundial da Saúde em 1997, o IMC é um dos métodos mais antigos para avaliar o estado nutricional de uma pessoa. No entanto, a fórmula sempre foi alvo de críticas por não considerar se o excesso de gordura impacta a saúde ou causa problemas físicos ao paciente.
A mudança já está sendo seguida pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e pela Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade.
O que é IMC?
O Índice de Massa Corporal (IMC) é uma fórmula utilizada para avaliar o risco nutricional com base na divisão do peso em quilogramas pela altura em metros ao quadrado. “O resultado é comparado com os valores de referência de uma tabela, para saber se a pessoa está com peso ideal, sobrepeso, obesidade ou magreza”, explica a nutricionista Aline Valentino.
Os critérios variam de acordo com a faixa etária, abrangendo crianças, adolescentes, adultos e idosos. A nutricionista Gabriela Tetzner explica que, segundo a OMS, um adulto com IMC entre 18,5 kg/m² e 24,9 kg/m² é considerado dentro do padrão de saúde ideal e tem menor risco de desenvolver doenças relacionadas à obesidade.
Quando o resultado do cálculo ultrapassa 30, a pessoa é classificada como obesa pelo IMC. “Mas pesquisadores a anos vem criticando essa forma simples de avaliar que pode subestimar ou superestimar a adiposidade”, afirma Aline.
Por que o IMC não é eficaz?
As nutricionistas explicam que o IMC não leva em conta a composição corporal, ou seja, se o peso vem predominantemente de gordura ou massa muscular. Além disso, não diferencia parâmetros entre homens e mulheres, idade, histórico de peso, dentre outros. Como resultado, uma pessoa com baixo percentual de gordura pode apresentar um IMC elevado, sendo classificada de maneira errada como obesa.
Por outro lado, também é possível identificar pessoas que estão dentro da faixa considerada ideal pelo IMC, mas que apresentam aumento de gordura abdominal ou alterações em exames, como resistência à insulina e colesterol elevado. Dessa forma, esses sinais indicam um risco aumentado para o desenvolvimento de doenças crônicas e cardiovasculares.
Como diagnosticar obesidade?
Para as nutricionistas, a abordagem mais eficaz é realizar uma avaliação detalhada, por meio de análises como:
Circunferência abdominal: a medida não deve ultrapassar 88 cm nas mulheres e 102 cm nos homens.
Relação cintura-estatura (RCE): calcula-se dividindo a circunferência da cintura pela estatura (altura). Resultados superiores a 0,5 indicam alto risco de doenças cardiovasculares.
Relação cintura-quadril (RCQ): obtida dividindo a circunferência da cintura pela do quadril. O valor não pode ultrapassar 1,0 nos homens e 0,85 nas mulheres.
Análise de exames de imagem: como DEXA e Bioimpedância, que permitem avaliar a composição corporal, incluindo massa muscular e gordura visceral.
Análise de outros parâmetros: como exames laboratoriais, hábitos alimentares e de exercício, além de queixas e sintomas do paciente, de forma personalizada.
Benefícios da mudança
Essa mudança sugere modificações vantajosas e mais exatas no que se refere à obesidade “O fato de não depender exclusivamente do IMC como único parâmetro de diagnóstico facilitará o manejo adequado das pessoas que lidam com o excesso de peso”, garante Gabriela.
Aline compartilha que já aplica esses parâmetros de avaliação em sua prática clínica. Isso permite “oferecer estratégias e condutas nutricionais mais assertivas, que vão garantir a efetividade do tratamento da obesidade, através da nutrição funcional e desse olhar mais amplo no cuidado integral”, explica.