Agressão contra a mulher aumenta durante a pandemia

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Agressão contra a mulher cresceu durante a Pandemia

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos declara que o número de denúncias de agressão aumentou em 2020 em relação aos anos anteriores 

Paula Orling

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos divulgou que houve mais de 105 mil denúncias de agressão contra a mulher em 2020 no Brasil. Este número aumentou em comparação ao dos anos anteriores e reflete a situação pandêmica ainda vivenciada. O anúncio governamental ainda descreve as condições das agressões, desde danos morais até homicídios.

A violência contra a mulher é uma preocupação real no estado brasileiro e de outros países ao redor do mundo há muitas décadas. Visando a solução a violência, a Organização das Nações Unidas (ONU) criou a Comissão de Status da Mulher e regulamentou entre 1949 e 1962 vários tratados reafirmando a igualdade feminina. 

Apesar dos esforços globais e nacionais contra esta agressão, os números de casos conhecidos pelo governo sobem ano após ano, de acordo com a ONU. Contudo, os dados do período da pandemia do Coronavírus alarmam a estrutura governamental e a população, já que apresentam valores de crescimento muito superiores às taxas dos últimos anos.

Entre as principais razões para o aumento está o maior tempo de permanência de agressores e agredidas no mesmo domicílio, devido à quarentena preventiva. Sobre essa diferença de realidade, o educador Malton Fuckner afirma que, durante esse período de isolamento, “as famílias precisam se organizar às novas rotinas”. Ele explica que como a organização nem sempre acontece, gera problemas domésticos.

Impactos na vida da mulher

Física ou verbal, a agressão pode causar traumas reais. A rondoniense Cleisteije Rauf, vítima de agressão durante vários anos, explica que tem muitas memórias tristes do período em que foi casada. Ao elucidar sobre as agressões que sofreu, afirma: “meu marido é um homem muito mau”. Continua dizendo que, “a única palavra que tenho para descrever ele em àquele período é ‘maldade’,”.

Hoje, resguardada pela Lei Maria da Penha, nº 11.340 de 2006, a ex- vítima de violência contra a mulher alerta sobre como as agressões afetam a vida emocional das vítimas. Assim, realça a diferença que percebe entre o período em que era constantemente agredida e a atualidade, em que é protegida.

O apoio populacional

Além da Lei Maria da Penha existem diversos serviços de denúncia como a Disque100 e Ligue180. São fontes de auxílio para vítimas de agressão doméstica e pública. Entre as organizações de proteção estão as ONGs Instituto Barbara Penna, SOS Mulher e Família, Associação Fênix e Associação Fala Mulher, as quais resgatam mulheres e as reestabelecem em um cenário pacífico.

A fim de fornecer apoio, organizações anônimas ainda divulgam vídeos aconselhando a busca por ajuda. Disfarçadas de influenciadoras digitais, muitas mulheres divulgam nas redes sociais meios de denúncia que possam proteger a integridade da mulher até o resgate. Estas são reconhecidas pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos como ajuda contra o controle abusivo.

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