Dados do IBGE apontam aumento do sofrimento emocional entre jovens, com reflexos diretos na aprendizagem e no comportamento em sala de aula.
Viktor Zimmer
Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em março de 2026, apontou dados preocupantes sobre a saúde mental de adolescentes no país. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), feita com estudantes de 13 a 17 anos, 28,9% dos entrevistados afirmaram sentir tristeza “na maioria das vezes” ou “sempre”. O estudo também mostrou que 42,9% relataram irritação, nervosismo ou mau humor frequentes.
Os dados indicam que o sofrimento emocional entre adolescentes pode ir além de sentimentos passageiros. A pesquisa revelou ainda que 32% dos estudantes afirmaram ter sentido vontade de se machucar de propósito nos 12 meses anteriores ao levantamento.
O cenário acompanha uma preocupação global. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), condições de saúde mental costumam surgir ainda na adolescência, e metade delas começa até os 14 anos. A entidade também destaca que esses problemas podem afetar a frequência escolar, a aprendizagem e as relações sociais dos adolescentes.
Impactos diretos no desempenho escolar
Dentro das salas de aula, os reflexos da ansiedade já são percebidos por educadores. A professora Andressa Cristina afirma que o problema pode afetar diretamente o desempenho escolar. Segundo ela, a ansiedade compromete a concentração, especialmente em atividades que exigem produção escrita, resolução de exercícios ou exposição diante da turma, além de prejudicar a atenção e a memorização dos conteúdos.
Entre os sinais mais frequentes observados pela professora estão a necessidade constante de sair da sala, comportamentos como roer unhas e morder objetos, além do medo excessivo de errar. “Indisciplina e impaciência são as principais mudanças, na minha opinião”, constata a educadora.
Diante desse cenário, escolas têm buscado alternativas para acolher estudantes emocionalmente fragilizados. Entre as estratégias adotadas estão projetos voltados à educação emocional, organização de rotinas previsíveis, uso de metodologias ativas e diálogo constante com as famílias. Em casos mais graves, os alunos são encaminhados para avaliação com profissionais especializados, reforçando a necessidade de um trabalho integrado entre escola, família e rede de apoio.
A ansiedade nos jovens
De acordo com a psicóloga Aleida Boschilia, a ansiedade pode se manifestar de diferentes formas nos jovens, como isolamento social, procrastinação, medo de fracassar e sintomas físicos, como suor, palpitações e choro sem causa aparente.
A psicóloga explica que fatores como pressão acadêmica, comparação social, bullying e mudanças hormonais contribuem para o aumento dos quadros ansiosos. “O medo do futuro pode paralisar o jovem, levando-o a evitar desafios por receio de decepcionar os outros”, destaca.
Aleida reforça que a família tem papel fundamental no cuidado com a saúde mental dos adolescentes. Manter diálogo aberto, fortalecer vínculos e respeitar a individualidade dos jovens são atitudes essenciais. Mesmo quando demonstram apatia ou distanciamento, os adolescentes precisam de presença, acolhimento e interesse genuíno por parte dos responsáveis.
Para as especialistas, o acompanhamento atento dos sinais, aliado ao diálogo entre escola, família e profissionais da saúde, pode contribuir para a identificação precoce de dificuldades emocionais e para a construção de ambientes mais seguros para os adolescentes.



