O presidente Lula defende o novo formato e afirma ser benéfico para a mulher brasileira.
Natan Santos
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, fez um pronunciamento, em cadeia nacional de rádio e TV, dedicado às mulheres no Dia Internacional da Mulher, 7 de março. O presidente abordou diversos assuntos no seu discurso, entre eles, o fim da escala 6×1.
O líder brasileiro disse que é preciso avançar no fim da escala, pois obriga a pessoa a trabalhar seis dias por semana e ter só um dia de folga. “Está na hora de acabar com isso, pois significará mais tempo com a família, mais tempo para estudar, descansar e viver. Essa é uma pauta da mulher brasileira”, afirmou.
Esse tema tem sido debatido desde 2023, quando o político Rick Azevedo fundou o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), mas ganhou ainda mais forças no final de 2025 quando a PEC 148/2015 foi aprovada. Para se concretizar, a proposta ainda precisa passar por duas votações no plenário do Senado e duas votações na Câmara, porém levando em conta as posições políticas dos deputados e senadores que irão votar, é esperado que a medida seja efetivada.
Segundo o advogado trabalhista Bruno Rovani, o fim da jornada de trabalho 6×1 altera a Constituição Federal, que hoje prevê uma carga máxima de 44 horas semanais e o limite de seis dias trabalhados. A proposta é que essas horas sejam reduzidas a 40 horas semanais e limite de cinco dias trabalhados.
Os impactos da medida na sociedade
O celetista Matheus Barbosa de Freitas trabalha na escala 5×2, porém esteve inserido por um ano na jornada 6×1. Matheus defende o fim da escala pois diz que o tempo não é suficiente para ter boa qualidade de vida, pois enquanto as outras pessoas aproveitavam das suas horas livres para descansar, ele trabalhava..“Não é algo que faz bem para quem está inserido, cada vez mais os trabalhadores da escala 6×1 são tratados como peões, não como pessoas”, alega.
O advogado destaca os impactos positivos que a medida trará à sociedade, caso se concretize. Ele cita que “alguns dos benefícios podem ser a saúde mental do trabalhador, a redução de acidentes de trabalho causados por cansaço e o aumento do nível de contratações, já que as empresas precisarão contratar para suprir a diminuição de horas”.
Rovani acrescenta que, com as mudanças propostas na CLT, futuramente, os processos trabalhistas irão explodir, visto que existirão cada vez mais empregos informais e quebras das leis trabalhistas dentro do ambiente de trabalho, para driblar de alguma forma a nova regra imposta. Então os trabalhadores devem estar sempre atentos se estão de fato desfrutando de todos os benefícios e direitos que a lei fornece.
Impactos econômicos
O economista Bruno Boncompagno, opina que o fim da escala 6×1 não trará mudanças significativas à economia do país. “A medida deve ser efetivada para ontem. É muito simplório enxergar a situação como um simples repasse de valor ao consumidor, o valor de um dia a mais de descanso é incalculável”, afirma. Além disso, Boncompagno diz que historicamente, todas as vezes que mudanças nas leis trabalhistas foram efetuadas, houveram discussões sobre os impactos negativos que poderiam acontecer, mas os impactos eram absorvidos e imperceptíveis a longo prazo.
Corroborando com a opinião do economista, a pesquisa do Ipea aponta que o mercado de trabalho pode absorver o fim da escala 6×1, gerando um impacto menor que 1%. Os pesquisadores do instituto usaram exemplos como os reajustes do salário mínimo de 2001 e 2012, houve debates sobre a redução do nível de empregos, porém isso não aconteceu.
Por outro lado, Bruno Rovani trouxe a ótica de que a economia será balançada, pois os setores de trabalho possuem duas opções: repassar o aumento do preço das horas ao consumidor ou absorver o prejuízo. Ambas representam um impacto bilionário a nível nacional.
Edmilson Pereira, o presidente da Febrac (Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação), falou em nota oficial da empresa, publicada em fevereiro, sobre a preocupação com o avanço do fim da escala 6×1 para pequenas e médias empresas, que concentram a maior parte dos trabalhadores da modalidade.
“É preciso haver uma ampla discussão, pois trata-se de uma iniciativa que pode resultar em repasses de preços, perda de competitividade, avanço da informalidade e até redução de postos de trabalho, o que implica no desemprego de pessoas”, aponta Edmilson.
Próximos passos
A PEC 148/2015, sobre o fim da escala 6×1, foi aprovada no dia 10 de dezembro de 2025 na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas ainda precisa passar por duas votações no plenário do Senado e duas na Câmara, com voto favorável de, pelo menos, 49 senadores e 308 deputados.
A data para as votações ainda está indefinida, porém, o presidente da Câmara dos Deputados Hugo Motta, disse em suas redes sociais que uma das prioridades da Câmara para 2026 é a votação para a redução da jornada de trabalho. “A matéria está sendo construída com responsabilidade, avaliando todos os impactos. É possível que possamos votar essa PEC até maio”, escreveu.



