MEC disponibiliza aplicativo que incentiva a democratização da literatura

In Cultura

Novo aplicativo pode expandir os universos literários para diferentes classes sociais.

Vitória Amábili

O Ministério da Educação (MEC) disponibilizou no dia 06 de abril o aplicativo MEC Livros. A fim de democratizar o acesso à leitura, a plataforma concede quase oito mil obras literárias e funciona como uma biblioteca pública online ao contar com empréstimos de livros, ampla diversidade de obras e acesso gratuito. 

Em parceria com a Fundação Biblioteca Nacional e com a Academia Brasileira de Letras, o intuito do MEC é garantir um acervo de livros atualizado e com obras que alcancem todos os tipos de público. 

O acesso gratuito da leitura

Segundo o IBGE, em 2025 mais de 20 milhões de brasileiros não tiveram acesso à internet. Para a professora de Letras, Andressa Knevitz, mesmo com plataformas de acesso a obras literárias, o acesso gratuito à leitura não garante que as pessoas vão conseguir aproveitar a plataforma. A professora também destacou que as plataformas têm alguns benefícios.

“Esse acesso de livros digitais vai ser muito bom para pessoas carentes, que antes não tinham como chegar ou a sua cidade não tinha uma biblioteca pública, desde que essas pessoas tenham acesso à internet”, explana. 

Além de possuir acesso a internet, o usuário precisa de dispositivos móveis, como computador, celular ou tablet, para acessar a plataforma pelo navegador ou aplicativo. 

Por isso, a escritora Iris Figueiredo fala que, “um dos principais desafios para formar novos leitores no Brasil é o acesso aos livros”. Ela comenta que outro desafio é a falta de políticas públicas que incentivem a formação de novos leitores e escritores. 

Andressa ainda comenta que muitas pessoas não gostam de ler, porque o gosto pela literatura vem de casa e o sistema educacional não contribui para que a vontade de ler seja implementada em sala de aula. “Essa ferramenta não vai ajudar os livros a se tornarem menos chatos, porque o que vai depender é a forma como esses livros estão sendo apresentados para esses alunos. Não é entregar nas mãos deles de forma gratuita, é a forma como eu vou tornar esses livros interessantes para eles”, defende. 

Os leitores premium

De acordo com uma pesquisa do Instituto Pró-Livro em 2024, quanto maior a escolaridade e a renda, maior é o hábito de leitura de livros, assim como também, é maior entre aqueles que ainda são estudantes. A pesquisa aponta que os estudantes do ensino superior leem em torno de 6,45 livros por ano, enquanto os alunos de ensino médio fazem uma leitura anual de 3,61 livros. 

O professor de História, Ricardo Cavalcante, comenta que há dois fatores que relacionam a desigualdade social ao acesso à leitura. “Os valores dos livros nem sempre são acessíveis a todos e o hábito da leitura historicamente não é comum em classes mais baixas economicamente”, menciona. 

Contudo, mesmo com a literatura sendo considerada elitizada, o MEC tem como objetivo reduzir as barreiras entre as classes sociais e democratizar o acesso aos livros, oferecendo um aplicativo gratuito em que as pessoas vão poder ler obras de diferentes autores sem precisar recorrer a compra de livros e download pirateados. “A leitura ainda é uma impressão elitizada, mas projetos como esse podem mudar esse conceito”, explica o professor. 

O impacto das redes sociais

No ano de 2025, o número de consumidores de livros cresceu, de acordo com a pesquisa divulgada pela Câmara Brasileira de Livros (CBL). Conforme os dados, 18% da população acima de 18 anos comprou pelo menos um livro físico ou digital. Mas, mesmo com o aumento de consumidores de livros, o número que representa os não consumidores é 82%.

Jovens de 18 a 34 anos impulsionam esse crescimento, principalmente pela influência das redes sociais. Durante a Bienal do Livro de 2025, o Portal de Notícias G1 apurou os números da hashtag #BookTokBrasil, que acumulou mais de 2,5 bilhões de visualizações. Por causa desses movimentos, leitores se tornam produtores de conteúdos literários e os livros ganham mais visibilidade. 

A escritora Iris Figueiredo desenvolve conteúdos para as redes sociais sobre literatura e foi por meio das redes sociais que ela conseguiu aprimorar o gosto por livros e conhecer outros tipos de histórias. “Se na minha adolescência tivesse uma biblioteca digital como essas que existem hoje, com certeza a minha paixão por livros teria sido ainda mais forte”, conta. 

Como funciona a plataforma de leitura

Na plataforma são encontrados quase exemplares de livros nacionais e internacionais gratuitos, e o empréstimo funciona como uma biblioteca pública digital. O leitor pode escolher um livro e usá-lo por 14 dias, podendo renovar o acesso a ele ou trocar por outra obra depois do período. 

Para usar o serviço, é necessário uma conta no Gov e o acesso pode ser diretamente pelo navegador ou pelo aplicativo disponibilizado na Play Store. “Achei a experiência de uso bastante intuitiva e fácil de navegar”, conta Iasmin Resende, professora que já acessou o aplicativo. 

Além disso, o aplicativo conta com um sistema de notificações que ajuda o usuário a criar e manter o hábito de leitura, uma aba exclusiva para acompanhar os dias consecutivos de leitura, tempo de leitura, páginas lidas e livros lidos. 

Iasmin acredita que a ferramenta pode incentivar o seu hábito de leitura, principalmente porque amplia o acesso a livros e a títulos que não são encontrados com facilidade. “Ter essa variedade disponível certamente torna a leitura mais acessível e prática no dia a dia”, conta a usuária do aplicativo.

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