Pesquisa FeMa Meter revela que mulheres são a maioria da força de trabalho, mas não em cargos de liderança.
Vitória Amábili
A Superintendência de Seguros Privados (Susep), realizou a primeira edição da pesquisa FeMa Meter recentemente, para analisar o percentual de mulheres que representam os cargos de liderança no mercado de seguros e de previdência privada no Brasil. Ao todo, o levantamento reúne dados de 142 empresas do ramo.
De acordo com as informações levantadas na pesquisa, as mulheres representam 54,4% da força de trabalho das empresas participantes, 28,5% dos cargos de gestão executiva e 18,5% de vagas em conselhos de administração. Indicando que, apesar de ocupar a maioria da força de trabalho neste ramo, as contratações para posições de liderança ainda são baixas.
A presença feminina em cargos de liderança
Além dos setores de seguro e previdência privada, as mulheres ocupam poucos cargos de liderança em grandes empresas. Um estudo realizado pelo Instituto Talenses Group em parceria com o Núcleo de Estudo de Gênero do Insper, divulgado no último mês, revelou que das 320 empresas analisadas, 224 companhias possuem presidência formalizada e apenas 39 são lideradas por mulheres, representando 17,4% do total.
O economista e especialista em Mercado Financeiro, Evaldo Heiderich, analisou alguns estudos sobre a presença feminina no mercado de trabalho, e percebeu que essa representatividade tem aumentado ao longo dos anos por causa do tempo de experiência. Contudo, em alguns setores, isto ainda não é uma realidade. “As engenharias que tradicionalmente ainda são grandes fontes para as funções de liderança, ainda predomina a presença masculina. Estas profissões que ainda tem predominância masculina são as que também têm maior remuneração”, explica.
Impactos causados no mercado de trabalho
Graciela Pompermaier, formada em Ciências Econômicas, destaca que a posição ocupada pela mulher no mercado está diretamente ligada à geração de renda. “Quando as mulheres encontram mais dificuldades para alcançar cargos de liderança, elas também não têm acesso aos salários maiores, bônus, benefícios, oportunidades de crescimento econômico e acesso a formações e treinamentos que cargos executivos podem proporcionar”, acrescenta.
Ela também acredita que uma menor presença feminina em cargos estratégicos e de liderança dentro das empresas não representa apenas uma questão de desigualdade no mercado de trabalho, mas uma redução da oferta potencial de conhecimento e experiências. “Quando há barreiras, para mulheres qualificadas alcançarem os cargos de decisão, as organizações não conseguem aproveitar ou reter uma parcela importante de talentos do mercado”, completa.
Com poucas mulheres em cargos de liderança, o efeito no mercado de trabalho é visível. Enquanto isso, a gerente de RH, Mirian Fonseca, frisa que o impacto da baixa contratação feminina pode ser percebido no dia a dia das empresas. “Essa ausência pode reduzir a diversidade de perspectivas e influenciar a maneira como determinados assuntos são analisados, tratados e conduzidos dentro da instituição”, conclui.
Para a advogada de família e sucessões, Mariana Alvarenga, as empresas podem ter contratações que garantem maior igualdade de oportunidades, por estarem submetidas ao cumprimento das legislações, normas e políticas públicas aplicadas, gerando uma maior fiscalização e responsabilização. “Assim, criam-se aos poucos, ambientes de trabalho mais seguros, justos e com conciliação entre trabalho e família”, aponta.
Direitos iguais para todos
Na rede social do Reddit, foi encontrada a história de uma internauta que trabalhava em uma empresa. Em uma publicação na plataforma, ela conta a sua experiência de trabalho em um local que não promovia mulheres. Mesmo após anos de dedicação e espera pela promoção, ela decidiu sair do lugar que não iria promovê-la. “Eu realmente gostava do trabalho na minha empresa anterior, mas não valia a pena lutar para ser visto”, relata.
Por isso, leis contra a discriminação de gênero existem no mercado de trabalho. A advogada Mariana destaca a lei 9.029/1995 (proibição de práticas discriminatórias), em que a mulher pode realizar denúncias no Ministério Público do Trabalho ou nos canais oficiais do governo, e pedir intervenção. Além disso, ela acrescenta que existem muitas legislações que protegem a mulher no ambiente de trabalho quanto a discriminação: igualdade salarial, proteção contra o assédio moral e sexual, proteção as gestantes, proibição de discriminação para promoção de cargos e contratações.


