Segundo a USP, estima-se que no Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas têm autismo.
Luiza Strapassan
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do desenvolvimento neurológico que afeta a comunicação, interação social e comportamento. É caracterizado por padrões repetitivos, interesses restritos e dificuldades na compreensão e expressão das emoções.
O Dia Mundial da Conscientização do Autismo, 2 de abril, foi estabelecido internacionalmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos autistas, dando suporte e mais visibilidade à causa.
Avanços para a causa
Para a psicopedagoga e especialista em educação inclusiva, Ellen Mirian Lopes Carvalho, o estopim da mudança de perspectiva sobre o autismo partiu da divulgação da rotina de famílias atípicas e o acesso à informação. “O movimento ganha força quando pessoas de destaque se envolvem e compartilham a própria vida ou projetos similares”, pontua.
O diagnóstico precoce foi um avanço significativo para as pesquisas sobre o autismo, de acordo com a Universidade Rutgers, nos Estados Unidos. Durante o monitoramento de recém nascidos, foi possível perceber através de testes auditivos a identificação de transtornos no desenvolvimento neurológico.
O universo das pessoas que estão dentro do espectro autista foi ainda mais valorizado após a pandemia, acrescenta a enfermeira e mãe de uma criança autista, Jaqueline Gama Kalbermatter. “Durante a pandemia, as crianças permaneceram mais tempo em casa e os pais puderam acompanhar mais de perto suas rotinas. Isso fez com que percebessem sinais diferentes no comportamento e procurassem atendimento médico”, explica.
Desafios do autismo
Ainda que atualmente tenham sido criadas leis, os autistas e suas famílias sofrem com diversos obstáculos. De acordo com estudos dirigidos na Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), a dificuldade para se matricular em escolas, preconceito, profissionais sem formação adequada e a falta de inclusão são problemas frequentes.
“Hoje nós temos avanços na saúde, educação e na própria legislação, mas eles ainda são muito pequenos e precisam ser melhor discutidos e trabalhados para que sejam válidos”, reforça Kalbermatter.
Por trás dos filhos que enfrentam dificuldades, existem famílias que lutam por suas causas e investem em atividades que tentam ampliar as possibilidades. A técnica social e mãe de um jovem autista, Lilia Cunha Praxedes, conta que desde o recebimento do diagnóstico de seu filho, ela percebeu que existiam diversos problemas que precisavam ser solucionados.
Como melhorar o cenário
Para resolver os problemas enfrentados por autistas, é crucial promover a conscientização, garantir acesso a serviços de saúde mental, oferecer apoio familiar, implementar adaptações em ambientes escolares e de trabalho, e promover a autonomia.
Investir em pesquisa, desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas e tecnologias pode ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas autistas e suas famílias.Tentar manter rotinas, auxiliar em momentos de crise e pedir por mais projetos e profissionais dedicados à causa vão auxiliar tanto as crianças quanto os responsáveis, diz Ellen.
A realidade do universo autista ainda tem muitos mistérios, mas com empatia podem ser desvendados. “Se todos olhassem com carinho e se colocassem no lugar daqueles que enfrentam as dificuldades do espectro, muitos problemas seriam resolvidos”, enfatiza Lilia.