Educação em tempo integral: qualidade e realidade da educação brasileira

In Educação, Geral

Ampliação das vagas em tempo integral nas escolas públicas traz debates sobre qualidade e realidade escolar

Fernanda Reis

Em agosto deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou o programa Escola em Tempo Integral no Brasil, que havia sido aprovado no mês anterior pela maioria do Congresso. Com a iniciativa, R$ 4 bilhões serão repassados para que estados e municípios possam expandir as matrículas a fim de cumprir a meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE), atendendo pelo menos 25% dos(as) alunos(as) da educação básica. 

O programa pretende ampliar em 1 milhão as vagas em tempo integral para escolas públicas de educação básica. Até 2026, a meta é ofertar educação em tempo integral em, no mínimo, 50% das escolas públicas. A meta do projeto é alcançar, até o ano de 2026, cerca de 3,2 milhões de matrículas. No entanto, surgem desafios e questionamentos sobre a qualidade e a viabilidade dessa transformação.

Educação integral ou em tempo integral?

O debate em torno do programa se estende para uma diferenciação entre “educação integral” e “educação de tempo integral”. De acordo com o Centro de Referência em Educação Integral, a primeira se preocupa em garantir o desenvolvimento dos estudantes em todas as dimensões de suas vidas. Já a segunda se concentra no tempo que os alunos passam na escola para atingir esses objetivos. 

A senadora Teresa Leitão (PT-PE), favorável ao programa, ressaltou que a qualidade das horas de aprendizado deve ser o ponto focal, alertando para a necessidade de conteúdo pedagógico de alta qualidade. “O projeto é positivo, mas existem gargalos. Alunas e alunos precisam sentir que as horas estão sendo bem aproveitadas. Precisamos cuidar para que o tempo integral seja acompanhado de conteúdo pedagógico de qualidade”, salienta.

Realidade escolar

Apesar das metas e dos repasses prometidos, a realidade das escolas públicas em tempo integral ainda enfrenta desafios duradouros. Para a professora Ana Fernandes, a realidade ainda está distante de se concretizar. Trabalhando em uma escola pública em tempo integral, ela vê as dificuldades para a realização do ensino nessas condições.

“Buscamos garantir o desenvolvimento deles, mas acho cansativo [para os alunos] ficar das 7h às 16h na escola. Mesmo que com aulas diversificadas, práticas, brincadeiras, é muito tempo para aprendizagem”, declara.

Já a professora Angel Domiciano acredita que mesmo com os desafios, o programa tem se mostrado eficaz na formação dos alunos. “Ele tem sido bom para o desenvolvimento dos estudantes, pois ensina o aluno a ser protagonista , ter projeto de vida e ir em busca dele”, declara, ressaltando o quesito responsabilidade que é criada no aluno.

You may also read!

Venda de veículos novos dispara no Brasil e atinge maior número desde 2013

O primeiro quadrimestre do ano registra a venda de mais de 1,7 milhões unidades de carros novos no país.

Read More...

Saúde mental dos educadores entra em alerta no estado de São Paulo 

Pesquisa da APEOESP afirma que 97,6% dos profissionais da educação em São Paulo sofrem com doenças psicológicas.   Luisa

Read More...

Brasil atinge maior índice de desenvolvimento humano da história

Pela primeira vez o Brasil subiu à categoria dos países de desenvolvimento humano “muito alto.’’    Yan Vitor   O Índice

Read More...

Leave a reply:

Your email address will not be published.

Mobile Sliding Menu