Ainda não existe vacina e tratamento para FNO, a melhor precaução é a prevenção.
Príscilla Melo
O Brasil confirmou quatro casos da infecção viral Febre do Nilo Ocidendal, transmitida pela picada do mosquito Culex, no fim de agosto. Desses quatro, dois casos foram registrados em Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, cidades no interior de São Paulo, e outros dois casos na cidade de Caçador e Imbituba, em Santa Catarina. Até agora, uma morte foi confirmada. O Ministério da Saúde divulgou uma série de alertas sobre prevenção, sintomas, diagnóstico e transmissão.
A Secretária de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP), através do Centro de Vigilância Epidemiológica Prof. Alexandre Vranjac (CVE – SP), foi a primeira a confirmar os casos de Febre do Nilo Ocidendal (FNO) no Brasil. A diretora do CVE-SP, Tatiana Lang D’Agostini, reforçou a importância da vigilância epidemiológica.
“A confirmação dos dois primeiros casos humanos de Febre do Nilo Ocidental no estado, reforça a importância da vigilância epidemiológica e do acompanhamento permanente da situação. As equipes municipais e estaduais seguem atuando na investigação dos casos para identificar o local provável de infecção e orientar as medidas de prevenção”, destaca.
Como as infecções acontecem
A médica infectologista Mariela Cometti explica que as infecções acontecem quando um agente infeccioso, como vírus, bactérias, fungos ou parasitas, entram no organismo humano, ultrapassam nossas barreiras naturais e encontram condições para se multiplicar. De acordo com a infectologista, no caso da Febre do Nilo Ocidental, algumas aves funcionam como hospedeiros naturais do vírus. Quando um mosquito, principalmente do gênero Culex, pica uma ave infectada, adquire a infecção e ao picar uma pessoa, a infecta através de sua saliva contaminada.
A partir daí, Mariela conta que o vírus começa a se multiplicar fazendo com que o sistema imunológico entre em ação. ‘‘Na maioria das pessoas, essa resposta consegue controlar a infecção sem que apareça qualquer sintoma. Em uma parcela menor, ocorre uma doença febril. E raramente, o vírus consegue atingir o sistema nervoso central, provocando manifestações muito mais graves, como meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda’’, detalha.
A médica ressalta que o ser humano é considerado um hospedeiro acidental e terminal, ou seja, uma pessoa infectada não mantém a cadeia de transmissão para outros mosquitos e não transmite a doença para outras pessoas, pelo convívio cotidiano.
A Febre do Nilo Ocidental pode virar uma epidemia?
Cometti alerta que, neste momento, não há elementos epidemiológicos suficientes para afirmar que o Brasil esteja caminhando para uma epidemia de Febre do Nilo Ocidental. ‘‘Temos quatro casos humanos confirmados em 2026, dois em São Paulo e dois em Santa Catarina, além de um caso provável em investigação no Piauí. É um número pequeno, principalmente considerando as dimensões do país’’, acrescenta.
O Brasil tem condições favoráveis para a circulação do vírus, como os mosquitos do gênero Culex, popularmente conhecidos como pernilongos, amplamente distribuídos pelo território, além de aves que participam do ciclo natural do vírus.
Principais sintomas
A infectologista descreve os principais sintomas da infecção como, febre de início abrupto, dor de cabeça, dores musculares, mal-estar, náuseas, vômitos, dor nos olhos, falta de apetite, manchas na pele e aumento dos gânglios linfáticos. Entretanto, aproximadamente 80% das pessoas infectadas não apresentam sintomas. A médica ainda afirma que pessoas idosas e indivíduos com comprometimento do sistema imunológico apresentam maior risco de evolução para formas graves.
Além dos sintomas físicos, Mariela aponta que os sinais de comprometimento neurológico exigem atenção. ‘‘Aproximadamente uma em cada 150 pessoas infectadas pode desenvolver doença neurológica grave, incluindo meningite, encefalite ou paralisia flácida aguda, confusão mental, alteração do nível de consciência, rigidez de nuca, tremores, convulsões, fraqueza muscular importante ou paralisia são sinais de alerta e exigem avaliação médica imediata’’, salienta.
Como previnir a Febre do Nilo Ocidental
A Agente Comunitária de Saúde (ACS) Rafaela Morassutti destaca que por ainda não existir uma vacina contra a Febre do Nilo Ocidental, a principal forma de prevenção é evitar a picada do mosquito e o acúmulo de água parada.
- Usar repelente, roupas de manga comprida e telas de proteção em portas e janelas, principalmente ao amanhecer e entardecer;
- Eliminar criadouros de mosquito. Não deixar água parada em pneus, vasos, garrafas e caixas d’água destampadas;
- Manter quintais limpos e piscinas tratadas;
- Notificar a vigilância sanitária se houver morte de aves ou cavalos com sintomas neurológicos;
- Evitar manusear animais mortos.
Em seu trabalho como ACS, Rafaela orienta as pessoas que atende diariamente a respeito desta nova infecção.‘‘É uma doença nova na nossa região, mas a prevenção é a mesma que já fazemos para dengue e chikungunya. A informação e a prevenção são nossas melhores armas”, esclarece.
O Ministério da Saúde adverte que o teste diagnóstico mais comum para a Febre do Nilo Ocidental, é a identificação de anticorpos IgM contra o vírus em soro ou em líquido cefalorraquidiano (LCR). Em caso de sintomas, procure a unidade de saúde mais próxima.



