Escritores promovem seus lançamentos literários durante a semana de programação.
Vitória Amábili
A 28ª edição da Bienal do Livro de São Paulo ocorreu de 04 a 13 de setembro, no Distrito Anhembi, reunindo um público recorde de 760 mil visitantes ao longo dos dias do evento, superando o marco de 2024, com 722 mil pessoas. Na edição deste ano, o país homenageado foi a Espanha, e os expositores das editoras prestigiaram obras literárias de autores nacionais e internacionais.
Além dos escritores apoiados por editoras, diversos autores brasileiros independentes marcaram presença durante a semana de programação. O estande dos Autores Independentes do Brasil, que reúne mais de 800 autores, poetas, escritores, ilustradores e outros profissionais independentes, esteve na Bienal. Além dele, a Fraternidade de Escritores também participou do evento, promovendo a cultura e a visibilidade da literatura independente, através da divulgação feita pelos apoiadores do projeto.
Dificuldades da publicação independente
Uma análise do Projeto de Extensão Ellos, publicado no dia primeiro deste mês, comenta as principais dificuldades que os autores independentes enfrentam na promoção de seus livros. Entre estes desafios estão a diferença de pagamento entre um escritor independente e um que publica por meio de uma editora, e principalmente a falta de visibilidade do livro.
O escritor Léo Rodrigues, que esteve presente na Bienal do Livro, pela estande da Fraternidade de Escritores, promoveu durante os dias da programação o seu novo livro de fantasia. Quando começou a escrever, ele percebeu que uma das dificuldades do mercado independente é a comercialização dos livros, pois eles não possuem tanto conhecimento por parte dos leitores. “Os autores independentes, que não são muito conhecidos no mercado, acabam ficando na margem, mas não por maldade do leitor, mas porque existe essa dinâmica mesmo”, conta.
Entre os livros mais vendidos da Bienal neste ano, nenhum deles é de autores independentes. Esta dinâmica é percebida pelos leitores. Estudante de Gestão Comercial, Iara Nunes observa em suas redes sociais a busca dos autores independentes em divulgar sua literatura, mas que mesmo quando os autores são bons, a falta de uma agência por trás da publicação prejudica na divulgação do livro. “Eu fico triste porque são livros bons, mas infelizmente não tem esse alcance por conta dessa diferença”, lembra.
Assistente editorial da Editora Pormenor, Yasmim Cardoso ressalta que os livros dependem muito de divulgação para alcançar novos públicos. “Infelizmente, muitas obras têm muito potencial, mas acabam sendo esquecidas ou não ganhando uma chance de destaque porque não conseguiram um espaço nas redes”, lamenta.
A importância da propaganda nas redes sociais
A Universidade do Livro realizou um curso de gestão de redes sociais para o mercado editorial, dos dias 29 de julho à 16 de setembro, para auxiliar escritores a promoverem a própria literatura no ambiente digital.
Iara conta que em sua experiência como leitora as redes sociais auxiliam na busca de novos títulos, e que isso à fez conhecer uma autora diferente. “Eu fui procurar saber mais e realmente não tinha esse alcance, era uma autora independente, ela que fazia a própria divulgação”, relata.
Para Yasmin as redes sociais abrem portas que, com certeza, fazem muita diferença para os autores independentes. “O potencial de viralização nesses ambientes virtuais é muito grande, mas é preciso ter paciência, afinal, pode demorar, assim como pode acontecer do dia para a noite”, relembra. Ela ainda cita que autores que criam essa presença na internet chamam muita atenção e criam muita vantagem no meio de tantos outros, às vezes, até quem já foi publicado por grandes editoras, mas exige muito esforço.
Possibilidades de divulgação das obras
A alternativa de muitos escritores independentes é buscar outras formas para promover suas obras literárias. Léo Rodrigues divulgou durante a Bienal seu novo livro através da entrega do primeiro capítulo impresso para o público do evento. “Para eles lerem o primeiro capítulo e ver se gostam ou não, aí eles podem acessar pelo Kindle”, complementa. Além disso, o escritor contratou influencers para fazer avaliações da obra, através de resenhas e blogs, assessoria de imprensa para a publicação nos jornais, blogs e podcasts.
A assistente editorial Yasmin relembra que as editoras tradicionais possuem mais verba não só no marketing digital, mas na criação de eventos literários próprios a fim de promover os livros e distribuir brindes para cativar antigos e novos leitores, assim como no aluguel de estandes em feiras literárias. “Consequentemente, isso impacta nas possibilidades de venda e na fidelização/construção de público”, finaliza.



