Pesquisa da Resume.io, realizada com mais de 3 mil profissionais, aponta a preocupação dos trabalhadores em serem substituídos.
Kimberly Santos
Profissionais de diversas áreas no Brasil enfrentam um novo mundo devido ao avanço das Inteligências Artificiais (IA), que tem transformado rotinas e aumentado a produtividade no trabalho. Segundo um estudo da Resume.io, com mais de 3 mil profissionais, os empregados têm trabalhado em média 2 horas e 24 minutos a mais por semana, ou seja, 125 horas a mais no ano. A pesquisa mostra que os trabalhadores têm intensificado suas jornadas e buscando qualificação para se manterem relevantes, motivados pelo medo de serem trocados por máquinas.
Uma pesquisa da consultoria McKinsey & Company reforça esse cenário. De acordo com relatório do McKinsey Global Institute (2023), até 2030, atividades que representam cerca de 30% das horas trabalhadas na economia podem ser automatizadas, impulsionadas principalmente pelo avanço da inteligência artificial.
No entanto, o estudo destaca que essa transformação não significa necessariamente a eliminação de empregos, mas sim a sua reconfiguração, com o surgimento de novas funções, especialmente em áreas ligadas à tecnologia, análise de dados e tomada de decisão estratégica.
IA alerta trabalhadores
Segundo o Engenheiro Civil Richard Santos, a presença da inteligência artificial no setor já é visível, principalmente em tarefas operacionais. Na avaliação do engenheiro, alguns serviços que ele realiza já podem ser substituídos, mas não todos. “Isso ficou claro quando vi a qualidade de algumas ferramentas na elaboração de imagens, vídeos e na precisão de respostas técnicas”, afirma. Segundo ele, atividades como, renderização de imagens, orçamentos e automação de tarefas, já podem ser substituídos por IA.
Por outro lado, Richard destaca que funções mais complexas ainda dependem de atuação humana como elaboração de projetos e vistorias técnicas. “ É uma mistura de sentimentos. Fico animado com a praticidade, mas a velocidade com que essa tecnologia evolui me causa preocupação”, ressalta.
Dados da OCDE (Organization for Economic Cooperation and Development) destacam que a integração dessas ferramentas tem exigido dos profissionais novas competências, ao mesmo tempo em que reforça a relevância de habilidades que não são plenamente aplicáveis por máquinas, como experiência, sensibilidade e capacidade de interpretação em contextos complexos.
Limites da IA
Se por um lado há receio, por outro existem profissionais que enxergam a IA como aliada. É o caso de Anny Beatriz Gadelha, que atua na área de Recursos Humanos em uma das maiores empresas de eletrodomésticos do Brasil, a Electrolux. Ela acredita que a tecnologia pode otimizar processos, mas não substituir o contato humano,principalmente em momentos como a integração de novos colaboradores. “O RH é uma área muito humana, de acolhimento. Esse primeiro contato com a empresa é difícil de ser substituído por inteligência artificial”, pondera.
Segundo Anny, a IA pode ser extremamente útil em tarefas , incluindo lançamento de treinamento, envio de lembretes e cobranças ou até para apoio em controles administrativos. Ela também destaca que a tecnologia tem sido uma ferramenta de crescimento profissional. “Muitas coisas eu aprendi com a ajuda da inteligência artificial, desde fórmulas no excel até a automação com VBA. Um processo que demorava uma hora, consegui fazer em dez minutos, ressalta.
Apesar das incertezas, Anny e Richard apontam que o impacto da IA não será necessariamente a extinção de empregos, mas sim a transformação das funções. A percepção de Anny reforça essa visão, “Existem prós e contras, mas isso não me desmotiva. Pelo contrário, me motiva a aprender mais e evoluir”, declara.
Por isso, análises do World Economic Forum apontam que, à medida que a tecnologia
automatiza funções operacionais, cresce a demanda por habilidades como pensamento crítico, comunicação e criatividade, reforçando a ideia de complementaridade entre humanos e máquinas.



