O primeiro quadrimestre do ano registra a venda de mais de 1,7 milhões unidades de carros novos no país.
Vitória Amábili
Desde a chegada dos automóveis ao Brasil, o mercado automotivo tem registrado elevados volumes de vendas, refletindo a ampla presença dos veículos no cotidiano da população brasileira. De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), nos primeiros quatro meses deste ano, a soma total de veículos novos vendidos no país totalizou 1.734.599 unidades, superando os registros de vendas do mesmo período desde 2013.
Os dados, divulgados no dia 05 de maio, levam em consideração as vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motos e implementos rodoviários novos.
Aumento nas vendas de veículos novos
O aumento significativo das vendas de carros novos no Brasil revela uma mudança na economia do país. Economista especializado em Mercado Financeiro, Evaldo Heiderich comenta que esse recente crescimento nas vendas de veículos novos é impulsionado por uma combinação de estratégias comerciais e políticas de incentivo. “Por um lado, as montadoras ampliaram as promoções e os descontos, ao mesmo tempo em que o mercado se abriu para a forte expansão dos modelos híbridos e elétricos. Por outro lado, programas de redução de impostos promovidos pelo governo funcionaram como o principal gatilho para esse aquecimento”, complementa.
Para quem trabalha diariamente com a venda de veículos, as mudanças no mercado não passam despercebidas. Gerente Comercial da Concessionária Savar Toyota, em Pelotas/RS, Rubilar Mendes notou o crescimento nas buscas por carros novos. “ Nós tivemos uma alta superior a 15% no acumulado dos primeiros cinco meses do ano na comparação com o mesmo período do ano anterior”, revela. A grande causa desse aumento nas vendas deste segmento foi a invasão dos veículos eletrificados e híbridos, de acordo com o setor de Rubilar.
Segundo o mesmo relatório da Fenabrave, veículos e comerciais leves híbridos e veículos e comerciais leves elétricos puros apresentaram elevado crescimento em vendas nos quatro primeiros meses deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. Os híbridos representam um crescimento de 71,53%, somando 90.485 veículos vendidos em 2026, e os elétricos puros somaram 48.401 unidades vendidas no mesmo período.
As motivações por trás da escolha do veículo
O primeiro passo antes de comprar um carro, é entender as diferenças entre os tipos de veículos e os benefícios de cada um. Evaldo aponta que a escolha pelo carro zero é fortemente motivada pela previsibilidade e pela tranquilidade que ele oferece, como a garantia de fábrica que protege o comprador por vários anos. “Há também o peso de um histórico completamente limpo, o que elimina o medo de defeitos ocultos, quilometragem adulterada ou desgastes causados pelo mau uso de terceiros”, assegura.
Formado em Engenharia Industrial Madeireira, Matheus Rech adquiriu um veículo novo recentemente, na concessionária Guaibacar, em Porto Alegre/RS. Custo benefício em geral, conforto, multimídia e motorização foram os fatores que o levaram a escolher um carro novo ao invés de um semi-novo. “Precisava do carro para locomoção para o trabalho, por ser outra cidade se tornaria inviável utilizar o transporte público”, destaca.
Vendedor na Concessionária Lopes Veículos, em Artur Nogueira/SP, Pedro Lopes esclarece que a diferença de preços entre os veículos está relacionada à desvalorização natural do automóvel, ao tempo de uso, quilometragem, estado de conservação e garantia oferecida, e que muitas vezes isso impulsiona o comprador a escolher um carro novo no lugar do semi-novo. “Na escolha do carro novo, os clientes buscam garantia de fábrica, tecnologia e segurança. Já no semi-novo, o principal atrativo é o preço mais acessível e o melhor custo-benefício”, aponta.
Preços de fábricas
Pesquisar sobre diferentes locais de compra para adquirir um veículo se torna importante pelas diferenças de preços entre fábricas e concessionárias. Contudo, Evaldo explica que a principal distinção entre os valores dos automóveis reside na depreciação deles. “O carro novo sofre uma perda de valor imediata e acentuada assim que deixa a concessionária, enquanto o usado já teve essa desvalorização inicial absorvida pelo primeiro dono, tornando seu preço de compra mais atraente”, explica.
Além disso, Evaldo também comenta que um preço menor hoje pode custar algo mais caro amanhã, e que investir em um veículo novo pode equilibrar a balança financeira entre o desembolso imediato e o custo de uso ao longo do tempo. “O preço mais baixo do usado esconde o risco de manutenções corretivas mais caras e frequentes devido ao desgaste natural das peças. Já o veículo zero-quilômetro, embora exija um investimento inicial maior e custos burocráticos de emplacamento, compensa a médio prazo com revisões tabeladas mais baratas e menor gasto com manutenção”, finaliza.



