Dia Nacional de Conscientização da Doença de Alzheimer fortalece prevenção e cuidado

In Saúde

Descubra os fatores de risco, cuidados e direitos para a Doença de Alzheimer.

Karen Andrade

O dia 21 de setembro é marcado pelo Dia Nacional de Conscientização da Doença De Alzheimer e pelo Dia Mundial da Doença de Alzheimer. No Brasil, a data foi instituída pela Lei nº 11.736, de 10 de julho de 2008, com o objetivo de conscientizar a população sobre a doença e destacar a importância da participação de familiares e amigos nos cuidados com as pessoas diagnosticadas.

O que é a Doença de Alzheimer e quais os fatores de risco?

A Doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa com início silencioso e comprometimento progressivo das funções comportamentais e cognitivas. Essas funções incluem memória, compreensão, linguagem, atenção, raciocínio e julgamento, conforme a Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.

Conforme o Ministério da Saúde, a doença é dividida em quatro estágios. O primeiro estágio é a forma inicial, o segundo a forma moderada, o terceiro a grave e o quarto é terminal.

Um dos primeiros contribuintes de risco para a Doença de Alzheimer (DA), é a idade. A Mayo Clinic é uma organização médica sem fins lucrativos dos Estados Unidos. Ela oferece tratamentos para casos complexos e conduz pesquisas e estudos científicos para a descoberta de novos tratamentos. O site da organização sensibiliza que a atenção ao risco da doença deve ser maior a partir dos 50 anos. Outros fatores de risco potenciais são: doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes, depressão, tabagismo e histórico familiar.

No último censo realizado pelo IBGE (2022), o número de pessoas com 65 anos ou mais cresceu 57,4% no país em 12 anos. Dessas, foi registrado que 2,71 milhões de brasileiros estavam vivendo com demência no país em 2023, esse número irá triplicar até 2050 conforme as projeções publicadas em 2023 no Relatório Nacional Sobre a Demência no Brasil (ReNaDe). O ReNaDe afirma que com esse crescimento, transtornos relacionados ao envelhecimento, como a demência, se tornam mais comuns, afetando a vida do portador da doença, seus familiares e amigos.

 A psicóloga Cynthia Salomão, doutoranda em Neuropsicologia do Idoso, explica que o impacto psicológico na pessoa diagnosticada pode ser profundo e dinâmico, se modificando conforme a doença progride. “Uma característica que pode estar presente é a anosognosia, condição neurológica que causa dificuldade em reconhecer a doença, o que faz o acompanhamento de familiares e demais cuidadores também ser importante”, ressalta.

Tratamentos e prevenções

De acordo com informações divulgadas no site oficial do hospital Einstein e do Ministério da saúde, a doença de Alzheimer tem meios de prevenção e tratamentos através de medicamentos prescritos, capazes de minimizar os distúrbios da doença  e estratégias que possuem como objetivo principal, melhorar a qualidade de vida do paciente com um mínimo de efeitos adversos, uma vez que a doença não possui cura. 

O Ministério da Saúde informa que cultivar hábitos saudáveis ao longo da vida é um meio de prevenção da DA. Manter a mente ativa, ler, estudar, ter uma boa alimentação, não fumar, não consumir bebidas alcoólicas e praticar exercícios físicos, podem prevenir não somente o Alzheimer, mas outras doenças crônicas como diabetes, câncer e hipertensão.

O portal do Ministério da Saúde declara que o medicamento Rivastigmina, adesivo transdérmico usado para o tratar o Alzheimer, está disponível nas unidades de saúde de todo o país. Outros tipos de estratégias usadas, como terapia da fala e apoio psicossocial também auxiliam no tratamento de forma eficaz.

A senhora Egle de Freitas era responsável por cuidar do seu pai com Alzheimer antes dele falecer com 94 anos, em 2013. Ela relata sobre as dificuldades de cuidar do pai sem um profissional competente e sem apoio psicológico para ele e para a família, que disse ter sido muito afetada. “Não era possível dormir direito, pois ele fugia de casa a noite, deixamos de ter compromissos sociais para poder cuidar dele”, desabafa.

A psicóloga Cynthia Salomão comenta que o atendimento para pessoas diagnosticadas com demência deve ser multifatorial, multidisciplinar e contínuo. Ela informa que, no sistema de saúde, o diagnóstico e investigação inicial pode ser realizado em atenção primária, avaliação clínica ou avaliação neuropsicológica, já na psicologia, o atendimento pode ser em psicoterapia, avaliação neuropsicológica ou em processo de reabilitação neuropsicológica. “É importante também realizar esse cuidado com a família e demais cuidadores principais. Os familiares e cuidadores podem receber auxílio psicológico, seja individual ou em grupos de apoio”, destaca.

O portal da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul disponibiliza um Guia do Cuidador de Pessoas com Demência organizado pelo geriatra Leandro Minozzo e o neurologista Wyllians Vendramini Borelli.

Sobre os direitos e benefícios de pessoas com Alzheimer

O site André Beschizza Advogados explica quais são os direitos da pessoa com Alzheimer e como consegui-los. De acordo com o site, o portador da doença pode ter acesso a benefícios como aposentadoria, auxílio-doença, Benefício de Prestação Continuada previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (BPC/LOA), isenção de imposto de renda, entre outros. 

Para ter acesso à aposentadoria por incapacidade permanente é preciso passar pela perícia do INSS, provar a gravidade e a permanência da condição através de laudo médico e ter 12 meses de contribuição ao INSS. 

O site também informa sobre o BPC/LOA, que é um auxílio financeiro de um salário mínimo por mês pago pelo governo brasileiro a idosos e pessoas com deficiência que vivem em situação de vulnerabilidade social, nele não é necessário ter contribuição ao INSS por ser um benefício assistencial. Para ter acesso a esse benefício, é necessário que o Alzheimer seja considerado uma deficiência, ter 65 anos ou mais, ou estar em situação de vulnerabilidade social. Também precisa cumprir alguns requisitos obrigatórios, como ter renda familiar por pessoa menor que 1/4 do salário mínimo, e passar por avaliação médica e social que comprove a incapacidade causada pelo Alzheimer. 

Egle comentou da dificuldade que tinha com o pai pela falta de conhecimento dos benefícios que ele tinha por conta da doença. “Ele não tinha direito nenhum”, afirma.

No Portal do GOV o Ministério da Saúde afirma que em casos de incapacidade permanente, a pessoa portadora pode ter um adicional de 25% se precisar de assistência permanente de terceiros. 

Quem possui a Doença de Alzheimer tem os direitos de Isenção do imposto de renda, Saque PIS/PASEP e Quitação de financiamento habitacional. O SUS oferece tratamento completo para quem tem Alzheimer, isso inclui consultas médicas com especialistas, exames necessários para acompanhamento da doença e acompanhamento multidisciplinar, feito por médicos, enfermeiros, psicólogos e terapeutas ocupacionais.

 A psicóloga Cynthia comenta que a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do SUS oferece atendimento público e gratuito, também aconselha aos familiares a procurar Unidades Básicas de Saúde (UBSs), postos de saúde e o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). 

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