Ensino médio tem o menor número de matrículas do século

In Educação

De acordo com o MEC, o  Brasil sofreu queda de 1 milhão de matrículas em um ano. 

Nicoly da Maia

O Censo Escolar de 2025, divulgado pelo ministro da Educação, Camilo Santana, aponta a queda de 1 milhão de matrículas na educação básica, somando redes públicas e privadas. O ensino médio lidera a redução, com 419,5 mil alunos a menos.

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) explicou que há dois principais fatores para essa queda. Um deles é o envelhecimento da população, que reduz o número de pessoas em idade escolar, situação observada nos últimos quatro anos. O outro fator é o aumento no número de alunos aprovados, o que diminui a quantidade de estudantes que precisam repetir o terceiro ano.

Dentro das escolas

A situação pode ser considerada ambígua em uma análise mais ampla, pois alguns fatores são vistos como naturais e até positivos, enquanto outros acendem um alerta.

A diretora escolar, Jéssica Araújo, avalia que a mudança é preocupante e precisa ser acompanhada de perto pelas instituições de ensino.

Segundo ela, a queda afeta diretamente a sustentabilidade das escolas, a organização das equipes e a continuidade de projetos pedagógicos. “Isso precisa ser analisado estrategicamente, pois pode indicar desde perda de confiança das famílias até mudanças no perfil da comunidade escolar, exigindo ajustes na proposta pedagógica”, afirma.

“A redução de alunos não tem uma única causa”, completa a diretora, ao apontar fatores como queda na taxa de natalidade, mudanças econômicas das famílias, migração de estudantes, principalmente da rede privada para a pública, e transformações no comportamento social após a pandemia. “Hoje, as famílias estão mais criteriosas na escolha da escola, o que impacta diretamente na permanência e na captação de alunos.”

Apesar do número expressivo, é importante considerar que os dados abrangem cerca de 178,8 mil escolas em todo o país. Na prática, essa mudança nem sempre é percebida com clareza no dia a dia.

A professora Yasmin de Sousa, docente da rede privada em Brasília, afirma que ainda não observa uma evasão significativa em sua realidade. “Pelo menos por enquanto, isso não é evidente para mim nem para meus colegas”, diz. Segundo a professora, quando ocorre, a evasão costuma se dar mais pela migração entre redes de ensino, especialmente quando o aluno não se adapta ao modelo da escola.

Impacto no ensino médio

De acordo com o Censo de 2025, o ensino médio registrou a maior queda, com 419,5 mil matrículas a menos. A diferença em relação ao ensino fundamental está ligada, principalmente, ao perfil dos estudantes.

Jéssica explica que, nos anos iniciais, a permanência é maior devido ao acompanhamento mais próximo dos pais. Já no ensino médio, a evasão tende a crescer por diferentes motivos.

“Muitos jovens precisam começar a trabalhar, além de enfrentarem desmotivação, falta de perspectiva de futuro e questões emocionais”, afirma.

Dentro das escolas, outros fatores também influenciam, como a falta de vínculo do aluno com a instituição. “Quando o estudante não se sente pertencente, ele se desconecta”, destaca.

Atividades pedagógicas pouco atrativas, falhas na comunicação entre escola e família e a realidade social da comunidade também têm peso nesse cenário. “A evasão quase nunca é uma decisão isolada, ela é construída aos poucos”, completa.

Caminhos para melhoria

Para a diretora, a situação exige estratégia e sensibilidade. Mais do que focar apenas nos números, é necessário fortalecer o vínculo com os alunos e compreender que a escola é feita de pessoas.

“Quando a gestão é intencional e próxima, os resultados aparecem, não só em matrículas, mas também em reputação e confiança”, afirma.

Ela conclui destacando que a educação passa por um processo de transformação. “A escola que não se adapta, não escuta e não se atualiza tende a perder espaço. Mais do que nunca, precisamos de uma gestão humanizada, estratégica e conectada com a realidade das famílias”, finaliza.

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