Falta de informação sobre a vacina impede prevenção à doença em bebês.
Vitória Amábili
O Sistema Único de Saúde (SUS), implementou o uso gratuito de imunizantes contra o vírus sincicial respiratório (VSR) em bebês nascidos prematuros e/ou com comorbidades. O medicamento, Niservimabe, protege contra o vírus, que é o principal causador de casos de bronquiolite e pneumonia em crianças menores de dois anos.
De acordo com a publicação do Ministério da Saúde, no dia 04 de fevereiro, 300 mil doses do imunizante já foram distribuídas por todo o país.
Gestantes já possuem o acesso gratuito ao uso de vacinas contra o vírus a partir da 28° semana de gestação, e a aplicação transfere anticorpos ao feto. Já o imunizante disponível para os bebês possui uma proteção imediata, sem que ele precise criar seus próprios anticorpos.
O que é VSR e a bronquiolite?
O vírus sincicial respiratório, conhecido como VSR, é um dos principais vírus causadores de problemas respiratórios. Bronquiolite e pneumonia estão na lista das complicações graves que ele pode causar. A médica pediatra Bruna Schuster explica. “O vírus sincicial respiratório (VSR) causa quadros respiratórios em todas as faixas etárias, mas é uma das principais causas de infecções das vias respiratórias e pulmões em recém-nascidos e crianças pequenas, menores de 2 anos de idade.”
Além disso, ele pode provocar sintomas parecidos com outros vírus, como coronavírus ou a influenza, e é identificado em adultos com sinais de gripe. Por uma identificação mais difícil em crianças menores de dois anos, sintomas de irritabilidade e redução de apetite servem de alerta para o vírus. “O vírus sincicial respiratório se espalha através de gotículas expelidas, por exemplo, ao falarmos ou espirrarmos e pode se instalar em superfícies. O que significa que também é possível pegá-lo ao passar a mão em uma objeto contaminado e, então, levá-la na boca”, exemplifica a médica.
VSR é um dos principais causadores de infecções respiratórias em bebês com menos de 6 meses de idade e crianças pequenas de até 2 anos. O período de contaminação pelo vírus pode variar de acordo com a região do Brasil, mas tem sua maior incidência no inverno e na primavera, podendo gerar uma epidemia nessa época.
A médica do Serviço de Imunização da Prefeitura de Canoas (RS), Andrea Lima Leal, explica o que é a bronquiolite, doença causada principalmente pelo VSR. “Bronquiolite é uma doença, causada por um vírus, que determina obstrução dos bronquíolos, que são como tubinhos que levam o ar, dentro dos pulmões, até o lugar onde ocorre a troca do gás carbônico pelo oxigênio, no sangue que volta do corpo para os pulmões”, aponta.
Quando uma criança é diagnosticada, ela pode sofrer diversas complicações. A médica ainda disse que a criança pequena é muito prejudicada por esta doença, justamente porque suas vias aéreas são menores, tem menos espaço para o ar passar que um adulto. Pode causar uma falta de ar muito séria, levando para a UTI e até precisar de uma entubação. Outra coisa que pode acontecer é a bronquiolite deixar sequelas para a vida toda. A doença faz cicatrizes no pulmão, o que impede a troca do gás carbônico pelo oxigênio. “Em alguns casos, a criança pode precisar de usar oxigênio o resto da vida”, complementa a médica.
Contaminação no país
O Brasil registrou 43,2 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados por VSR até 22 de novembro de 2025. Dentre esses casos, o maior percentual de hospitalizações ocorreu em crianças com menos de dois anos, totalizando mais de 35,5 mil ocorrências, o que representa 82,5% do total de casos de SRAG por VSR no período, segundo a Secretaria de Comunicação Social.
Uma pesquisa da Info Gripe divulgada no dia 26 de fevereiro deste ano informa que 3 estados apresentaram crescimento de atividades de SRAG, sendo eles: Goiás, Rondônia e Sergipe. Nesses três estados, o aumento de SRAG é impulsionado em especial pelo VSR, principalmente em crianças pequenas.
A falta de informação
Apesar da chegada do imunizante nas clínicas particulares em 2024 e neste ano no SUS, a falta de informação e acesso público prejudica a saúde de muitos bebês que não possuem essa oportunidade de medicação, é o que relata a estudante de Direito, Franciele dos Santos. Como mãe, Franciele viveu momentos delicados com a internação do seu filho mais novo.
Com treze dias de vida, Dominy foi internado com crises de bronquiolite. Franciele conta que esse período foi muito marcante para ela, por conta da dieta, luto por ter perdido a mãe e a preocupação com o filho recém nascido internado. No hospital ela pode presenciar histórias de outras mães que não tinham feito uso desse imunizante: “tiveram crianças com problemas muito mais fortes do que o Dominy. Teve criança que foi para UTI, que ficou meses depois na UTI. Teve situações bem complexas que me marcaram muito.”
Franciele tomou a dose da vacina disponível pelo SUS para gestantes a partir da 28° semana de gravidez contra o VSR, mas enfatiza a importância da disponibilidade deste medicamento para bebês e crianças. “Se eu tivesse tido a informação que esse imunizante ele existia e que era apenas particular, eu teria dado um jeito de dar para o Dominy”, ressalta.
O primeiro filho dela tem 11 anos e quando nasceu não teve problema nenhum porque nasceu no período de verão e o Dominy, seu filho mais novo, nasceu no frio. “Eu não fazia ideia que existiam outras vacinas a não ser aquelas que eram ofertadas no SUS. Isso é muito sério, é uma falta de informação gigantesca”, conta.
Para ela, a desinformação sobre as vacinas oferecidas por redes privadas do país e a não disponibilidade desses medicamentos pelo Sistema Único de Saúde é muito sério e prejudicial.
Importância do SUS
A vacinação em gestantes é a primeira estratégia de combate ao vírus que possibilita a fabricação de anticorpos contra o VSR e que serão passados da mãe para o feto. A segunda estratégia é usar anticorpos imunizantes em bebês com risco de gerar bronquiolite grave, que são os prematuros e com comorbidades.
Por isso a liberação dos imunizantes pelo SUS é importante, salienta a médica Andrea. “Tanto a vacina quanto o anticorpo artificial, Nirsevimabe, são medicações de ponta, e, portanto, muito caras. A maioria das pessoas não têm condições financeiras de adquirir. Com a liberação pelo SUS, haverá uma diminuição drástica destes casos de bronquiolite em crianças com menos de 2 anos, que pode ser muito grave em bebês que têm um risco maior.”
A vacina para gestantes está disponível em dose única gratuitamente no Sistema Único de Saúde a partir da 28° semana de gestação. Aconselha-se a procura das unidades básicas de saúde municipais e acompanhamento médico.



