Aplicativos de namoro se tornam o novo LinkedIn

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1 em cada 3 usuários conseguiram emprego por meio de aplicativos de relacionamentos como Tinder, segundo pesquisa da Resume Builder.

Nicoly Maia

Você já imaginou dar match com uma oportunidade de emprego? O que antes era visto apenas como um espaço virtual voltado a encontros românticos, passou a ser visto como uma ponte para o mercado de trabalho. 

Em meio a competitividade crescente do mercado e a frustração com plataformas tradicionais de recrutamento, candidatos têm recorrido a aplicativos de namoro, como o Tinder, para ampliar sua rede de contatos, e assim, eventualmente, conquistar uma entrevista. 

Em uma pesquisa realizada pelo site de currículo, Resume Builder, com 2.225 usuários, um em cada três entrevistados afirmou já ter utilizado aplicativos de relacionamento com fins profissionais, comprovando não ser um caso isolado. Dados que expõem a clara mudança na forma de contratação. 

Distância entre o mercado e a sociedade

A recrutadora, Larissa Santos, explica que “a situação diz mais sobre o mercado do que sobre o aplicativo”. Segundo ela, quando alguém consegue emprego pelo Tinder, não significa que a plataforma tenha se tornado um canal formal de RH, mas que profissionais estão utilizando “qualquer ponte disponível” diante da dificuldade de inserção e da falta de retorno nos processos seletivos tradicionais, na maioria das vezes encontrados em plataformas como Linkedln. 

De acordo com a especialista, o mercado está cada vez mais relacional e menos institucional. “O networking hoje acontece onde existem pessoas inclusive em aplicativos de relacionamento”, afirma.

Oportunidades inesperadas no Tinder

Foi em um desses aplicativos que a professora Beatriz Araújo conseguiu o primeiro emprego após um match no Tinder. Desempregada após concluir a graduação e com experiência apenas em projetos acadêmicos, ela utilizava plataformas como o Indeed para buscar oportunidades, já que em sua área, o LinkedIn não concentrava vagas compatíveis com sua formação.

No Tinder, porém, não buscava trabalho. “Eu estava lá para procurar dates”, conta. Em seu perfil, deixou claro, de forma humorada, a frase “professora desesperada em busca de um emprego” mais para evitar constrangimentos de questionamentos sobre profissão, do que como intuito profissional. O match aconteceu com uma ex-colega de escola que, meses depois de assumir a coordenação de uma escola bilíngue, precisava contratar uma nova professora para o berçário.

Apesar do contato inicial pelo Tinder, houve o processo seletivo formal, com entrevista e teste de inglês. A vaga se confirmou e marcou o início da trajetória profissional da docente. “Foi uma experiência engraçada”, relembra. Na época, a própria coordenadora pediu discrição sobre a origem do contato, já que a escola mantinha um perfil conservador. O emprego, no entanto, abriu portas para oportunidades melhores no ano seguinte.

Para a recrutadora, exemplos como esse mostram que o problema não está necessariamente em onde o contato começa, mas em como ele prossegue. “O ponto não é iniciar fora do canal formal. É garantir que o processo seja conduzido com critérios claros, ética e transparência”, afirma.

A informalidade se tornou a melhor opção

O crescimento desse tipo de relato indica um mercado cada vez mais marcado por conexões informais. “O mercado está cada vez mais pautado por conexões informais, mas isso não significa que o networking substitua a competência”, comenta Larissa. A aproximação humana é mais rápida, direta e, muitas vezes, mais autêntica, explica.

Ainda assim, a especialista alerta para os riscos: contratações iniciadas fora de canais formais podem falhar em critérios óbvios, transparência e registro adequado, o que abre espaço para favorecimentos, questionamentos jurídicos e danos à credibilidade da empresa, “a informalidade cresce justamente onde a estabilidade, a transparência e a proteção do trabalhador são menores.”

A preocupação se estende também à questão ética. Quando o primeiro contato ocorre em um aplicativo que o primeiro julgamento é marcado pela aparência, há o risco de influenciar decisões profissionais. “A performance pode acabar ficando em segundo plano”, observa a recrutadora, destacando impactos na diversidade.

Mudança definitiva?

Porém, ainda com esta nova dinâmica, o LinkedIn prossegue sendo o meio que as pessoas mais recorrem para a busca de emprego, mas este cenário demonstra como o aplicativo antes construído para facilitar a busca, se faz hoje um ambiente cada vez mais “competitivo e performático”, como apontado por Larissa. 

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